1 de maio de 2012

Olhos insípidos



Eu procurei seus olhos perdidos.
Enlaçados ao segredo conciso,
Eu encontrei seus olhos insípidos.

A magia acabou em uma onda sem sabor,
O nosso jarro rachou e quebrou.
No seu rosto de novo eu vejo o deserto do desamor.

Os seus olhos caem aos rochedos...

Insípidos, como o toque dos seus dedos.


 Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

12 de abril de 2012

Olhos esquentam



E quando os olhos esquentam
Enrolo meu corpo no sol
Estendo meus ossos no varal
Para queimar meus pecados
Tudo aquilo que eu colhi em teus braços
Inesquecível mormaço...


Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 6.910 de 19/02/98]

1 de abril de 2012

Dama derramada


A areia é muito pesada
Molhada
Prende-me os pés
Com o vai e vem das marés

No mesmo vai e vem
Corpos se afogam em corpos
Atolados
Em egoísmo compartilhado

A dama caiu em vermelho lençol
Derramada de olhos ilegais...

A areia é muito branca
Pálida
Não combina com minha alma
Riscada de cinza como este céu.


Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]
[Imagem: Capa do cd "Sim" de Vanessa da Mata]

11 de fevereiro de 2012

Agridoce



Se o céu pode rachar
Eu vou atear fogo no mar
Para nele queimar
O amargo do meu paladar

Se a chuva pode cair ácida
Eu terei mais uma despedida
Para tornar suicida
O doce da minha sobrevida


Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

28 de janeiro de 2012

Diamantes amarelos



Diamantes amarelos
para refletir a ferrugem
dos nossos abraços,
o brilho fosco
de um sentimento oco,
que tosco
- não há mais nada no jarro.
Ele vai juntando pó.
O que houve conosco?

Diamantes amarelos
quebram com gritos roucos
depois de beijos indiferentes,
antes tivessemos zircônias transparentes,
que fim
- você não cuidou de mim.
Foi assim.
Quem dos dois ficou louco?

Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

14 de janeiro de 2012

Tormenta


Firmamento partido,
Rasgado ao meio
Com fios soltos de estrelas
Caindo às beiradas
Do manto negro.

Soro escorrendo
Entre os dedos do tempo,
Soprando sereno salgado
Nos lábios secos
De um porto ermo.

Lascas das palavras
(ainda não ditas)
Adornam decisões amarradas,
Mais brilhantes que
Estas estrelas apagadas.

Mas são tantas amarras,
Que curvam luas aos sóis
E convertem ódios em amores,
Que ao chegar no porto
Não cintilam mais.

E um adeus tenta se encaixar,
Entre a fissura no manto
E o corte no coração,
Antes de atracar e terminar
Por dilacerar a porcelana.

Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]


Para lavar a nossa má sorte...



31 de dezembro de 2011

Princípio do fim


À beira do abismo
Tudo é mais bonito...
No princípio do fim
Não existe sensação de perda.

Quando falta pouca areia
No vidro da ampulheta,
Resta aos ponteiros se lançarem
Além do templo do pêndulo.

Depois da grafite tomar conta do céu
E dos trovões arranharem algodão...
Se não existem guarda-chuvas
Então deixa chover!

Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]


A nossa música [...] Dia de Ano Novo