2 de abril de 2018

Eu sou só uma sílaba





Eu sou só uma sílaba
De uma linguagem morta

Que não pode escrever uma poesia inteira
Mas consegue rasgar um verso ou outro





Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

5 de março de 2018

Nesta névoa de verde e dourado



O verde das árvores à beira do lago,
O amarelo poente do verão...
Uma beleza tão grande
Para contrastar com tamanha dor.

O ar ficou pesado,
Mais que a munição que carrega.
A visão ficou turva – aqua,
Das lágrimas que estão por vir.

Ele o perdeu,
Mais uma vez...
Pela última vez.

O garoto atravessou a porta
De sentido único,
Deixando seu segundo pai...
Deixando seu primeiro amigo...

Ele o ama!
E ele o implora;
- Me espera na clareira!

... Além da respiração...



Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

15 de fevereiro de 2018

A quarta parede



Eu sei que você está aí
...observando
...medindo
...julgando

Não olhe para o outro lado
Como se não soubesse
Que o controle
Está em suas mãos




Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

1 de fevereiro de 2018

O tempo é uma face na água




O tempo é uma face na água
Distorce distâncias
E turva as sensações

O qual não se pode agarrar com as mãos
E quando você olhá-lo
Ele te encara de volta

O tempo é uma face na água
Inunda aparências
E dissolve razões

Aquele que você admira fascinado
Enquanto dilui suas certezas
Os reflexos mudam e mudam... sempre




Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

8 de janeiro de 2018

Quando se encerra



Quando o peito aperta,
a caixa se fecha,
e as auréolas caem
líquidas pelos olhos...

Quando o leve suspiro
apaga a vela,
a palavra certa,
da maneira errada se encerra...



Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

27 de dezembro de 2017

Vermelho e frio




Aquelas nuvens de seda
a sensação aqua daquele vermelho
me lembrou dos que foram embora

Aquele frio sensível
a sensação de veludo flutuando
me lembrou que eu continuo aqui

Nesse vermelho e frio
cada leve arrepio conduz
mais uma saudade ao firmamento



Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]

9 de dezembro de 2017

Carpete





Ela se escondeu no medo dos lençóis,
Imaginou-se lá fora no gramado.
Naquele momento chorou, mas logo
Negou as lágrimas que rolaram ao carpete.
A luz do quarto acendeu e ela se revelou.

Estava com o revolver em punho,
Tudo tinha uma solução simplista...
Bala recheada de pólvora, o cilindro girou.

As manchas no carpete
Não me deixam mentir.
Noite em que lágrimas viraram sangue.
Insípida de amor e calor,
Ela se derramou ao fim.



Francielly Caroba
[Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98]